Mas trata-se de uma encenação. Lula não pertence àquela geração de revolucionários que pegaram em armas nos anos 60; ele é um produto do sindicalismo criado pelo próprio regime, que soube encontrar um script próprio e fazer valer seu carisma. Jair Bolsonaro ainda era um cadete naquela época, mas nutre uma adoração basbaque pelo regime dos generais de que gostaria ter participado.
A ordem de prisão aos Bolsonaros parece sinalizar que o país finalmente entendeu que a cadeia é o destino normal dos militares insurgentes. Flávio Bolsonaro, ao que tudo indica está acabado; mesmo que escape da prisão, com certeza será inelegível em 2030. Mas e Lula? Este dificilmente escapará da sentença do tempo. Impressionou-me sua decrepitude ao discursar logo após a eleição, ainda que tenha querido dizer que estava apenas rouco de tanto falar. Talvez nem termine o mandato. Ainda vivo, mas já morto como agente capaz de grandes transformações. Seu novo período deverá ser apenas uma continuação morna do anterior.
Acredito, então, que o país finalmente vai sair dos anos 60. Mas o que virá depois, não sei. Desconheço rostos novos da direita, e o PT há anos vive a reboque de Lula, sem haver gerado novos líderes. Viveremos a ressaca de ideias há muito tempo mortas, e quanto ao resto, só posso esperar.