Guerras sempre existiram, sempre foram destrutivas, mas as expectativas e os alcances das guerras variaram com o tempo. Em alguma época já ocorreram guerras construtivas? Bem, até o final do século 19, houve guerras que foram entusiasticamente aplaudidas por certos grupos, e efetivamente renderam dividendos para o vencedor. Cite-se as guerras dos EUA contra o México e a Espanha, que resultaram em novos territórios. A Guerra Franco-Prussiana resultou na unificação da Alemanha, sem destruir a França, dando razão ao chanceler Bismark: "Com fogo e sangue serão feitas as grandes obras de nosso tempo". Brutal, mas historicamente verdadeiro.
A história começou a virar após a Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, que teve começo, meio, fim, vencedor e perdedor. Tudo conforme o padrão, seguida de pesada indenização infligida ao derrotado. Mas desta vez houve algo diferente. Os vencedores acabaram englobados na mesma crise econômica que devastou o perdedor, dando a impressão de que naquela guerra não houve vencedores. Era o sinal inequívoco de que as guerras estavam se tornando tão caras, que já deixavam de ser economicamente viáveis. O que não bastou para evitar novo conflito ainda mais caro e destrutivo, mas desta feita, seguiu-se um planejamento racional para a recuperação de todos os beligerantes, ao invés das antigas indenizações punitivas, e mais não se diga, o advento das armas nucleares fez até os mais fanáticos belicistas entenderem que uma nova guerra mundial seria impraticável.
Evidentemente, as guerras não deixaram de acontecer, mas mudaram de perfil. Durante a chamada Guerra Fria, fenômeno mais geopolítico do que puramente militar, a arena de luta entre as duas superpotências não se localizava mais em seus próprios territórios, mas no chamado Terceiro Mundo, região em disputa entre os blocos capitalista e comunista, onde cada superpotência fornecia ajuda a governos ou grupos armados seus aliados.
Mas a Guerra Fria também teve fim. Então, qual seria o futuro da guerra? Vimos a guerra Iran X Iraque, que durou oito anos e terminou sem um vencedor distinguível, antecipando as guerras intermináveis da época atual. O conflito árabe-israelense prossegue sem que se preveja um final. A patética Guerra das Malvinas foi um golpe mal dado por um país que apostou que não haveria guerra. Ah sim, as duas Guerras do Golfo tiveram final, vencedor e perdedor. Mesmo? A situação no Iraque permanece totalmente indefinida e caótica, assim como a situação na Líbia e na Venezuela.
Lembro de 1984, de Orwell, onde o escritor previa um mundo dividido em superpotências mantendo entre si um infindável estado de guerra, sem que se divisasse outro objetivo além de manter a população unida contra o inimigo externo, e desatenta da situação interna. Talvez ele estivesse certo.