quarta-feira, 24 de junho de 2026

O Derretimento do Comunismo

Esta semana chegou a notícia de uma ampla reforma política em Cuba, com a aprovação de um pacote histórico de 176 medidas de abertura econômica e descentralização. As reformas incluem a conversão de estatais em sociedades mercantis com ações, permissão de capital estrangeiro no setor privado, autorização para empresas com mais de 100 funcionários e abertura do setor imobiliário, agrícola e bancário. Tudo sem alarde, e aprovado por unanimidade em uma única votação, conforme esperado em um regime onde não há oposição. Mas todos sabem que a real causa foi a pressão de Washington.

No início do ano, com a captura de Nicolas Maduro na Venezuela, o governo que assumiu em seu lugar prontamente dispôs-se a ceder às exigências de Trump. Mas tanto no caso de Cuba, quanto na Venezuela, o regime permaneceu intacto. Não houve convocação de eleições, libertação de presos políticos, fim de censura, e isso não parece importar a Trump, que se dá por satisfeito e afirma haver cumprido suas promessas.

Vai-se o comunismo, fica a ditadura. O esperado é que seja adotado o modelo chinês: toda liberdade ao capital, nenhuma ao indivíduo. Mas nem de longe existe a expectativa de que Cuba e Venezuela experimentem o desenvolvimento econômico chinês. Em todo caso, fica a impressão: é assim que os regimes comunistas acabam? Não são derrubados, mas simplesmentem derretem, escorrendo aos poucos pelas beiradas da forma, que permanece.

Tem a ver. Na antiga Cortina de Ferro, a maioria dos regimes comunistas não caiu por uma revolução, simplesmente ruiu feito prédio condenado. Historicamente, a tentativa imprudente de reparar prédios condenados costuma ser a causa do empurrão final que provoca seu colapso, e foi justamente o que aconteceu na ex-URSS. Na ex-RDA, o regime caiu por uma frase mal interpretada de seu chanceler. O comunismo parece transformar de maneira tão radical e absoluta os arcabouços sociais, politicos e econômicos de uma nação, que inviabiliza qualquer oposição articulada capaz de derrubá-lo. Só não consegue evitar de cair sozinho, sob o peso de seu fracasso. Dizia Roberto Campos, o comunismo é o caminho mais longo entre o capitalismo e o capitalismo.

Então, o que podemos esperar aqui na América Latina, é que os regimes comunistas existentes derretam. Mas e a ditadura? Bem, essa não tem a ver com o comunismo. É hábito nosso. Seja Fidel ou Raúl Castro, Hugo Chávez ou Nicolas Maduro, e também Evo Morales, todos repetiram o padrão das gerações de velhos caudilhos antes deles: procuraram eternizar-se no poder.

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