quarta-feira, 30 de março de 2022

Não se fazem mais guerras como antigamente

O que não mudou, é que a guerra é sempre uma desgraça. Bem como o séquito de refugiados. Minto: antigamente ninguém ligava para refugiados, hoje eles ao menos se materializam em imagens. Mas as guerras de antigamente pareciam mesmo ter um roteiro: havia um vencedor e um perdedor, milhares de prisioneiros, um armistício e uma ocupação. Já as guerras da atualidade se parecem mais a desordens.

Desconheço as raízes do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, e não vou comentá-las. Mas parece-me que esse conflito se insere no padrão da guerra "moderna" - a primeira que vi foi a guerra Irã X Iraque nos anos 80, que durou não sei quantos anos e terminou sem vencedores e sem alteração no balanço geopolítico do Oriente Médio. A guerra moderna, ou é essa empatação que apenas consome vidas e recursos, ou se assemelha a uma operação policial levada a cabo por potências que se arrogam uma função policialesca dos conflitos globais, como foi a guerra contra o Iraque de Saddam Hussein. Haverá um equilíbrio de forças, ou um receio de se lançar mão da força total? Já dizia o general Sherman, da época da guerra civil norte-americana:

"Guerra é crueldade. Quanto mais cruel, mais cedo termina"

No passado as guerras ocasionavam por vezes tenebrosos massacres, mas tinham um papel no desenrolar da História, não eram simples desordem à espera de um policial para restaurar a ordem. Algumas até davam lucro ao vencedor, como foram as guerras movidas pelas potências imperialistas do século 19, notadamente as promovidas pelos EUA. Mas a Primeira Guerra Mundial veio pela primeira vez sinalizar que a guerra moderna havia se tornado tão custosa que significava prejuízo até para o vencedor - de fato, todos sofreram com a crise econômica que veio no rescaldo da guerra e prolongou-se até a Segunda Guerra Mundial, que foi ainda mais custosa, mas o pós-guerra veio quebrar o paradigma: não era mais o derrotado o encarregado de pagar toda a conta, mas os vencedores deviam se encarregar de ajudar na recuperação de todos a fim de criar um equilíbrio onde não houvesse mas ressentimentos que conduzissem a um novo conflito - e funcionou: a guerra seguinte, denominada a Guerra Fria, foi a guerra que não aconteceu, a despeito das previsões apocalípticas dos que viam como inexorável uma Terceira Guerra Mundial.

Havia também os chamados Conflitos de Baixa Intensidade, uma espécie de guerra "a prestação", que permanecia latente às vezes por décadas a fio, com longos intervalos intercalando uns tantos choques violentos. O conflito árabe-israelense, segundo alguns analistas, se enquadra nesta definição. A guerra da independência da América Latina durou 27 anos no início do século 19, mas não houve combates ininterruptos durante todo esse período, e sim avanços e recuos compondo uma longa história. De modo geral, na época, as guerras só afetavam intensamente as regiões onde se encontravam o teatro de operações. Isso mudou com o advento da guerra moderna industrial já na segunda metade do século, a nova guerra que não envolvia somente os exércitos, mas o comprometimento de toda a economia do país e o trabalho da população civil na retaguarda. Os primeiros exemplos de guerra moderna industrial foram a guerra civil norte-americana e a guerra franco-prussiana. A principal característica era o custo muito maior em dinheiro e vítimas.

Pouca gente sabe, mas a Guerra do Paraguai, ocorrida nesta mesma época, pode também ser enquadrada como exemplo pioneiro de guerra moderna industrial - bem distinta dos outros conflitos do continente, esta guerra destacou-se por sua longa duração, o enorme número de baixas (mesmo o Brasil perdeu 30% de seus efetivos, um percentual muito grande para um vencedor) e seu exorbitante custo. Evidente que o Brasil, exportador de produtos primários, não tinha condição de arcar com uma guerra industrial moderna, onde tinha que importar das potências industriais quase todo o seu material bélico, de modo que o conflito foi o início da derrocada do Segundo Império - uma vitória pírrica, de certo modo antecipando a mensagem que só ficaria clara meio século mais tarde, de que a guerra podia custar tão caro que não compensava nem para o vencedor.

No século 20, ao mesmo tempo em que desaparecia o conflito entre grandes potências, ganhava destaque a guerra de guerrilhas, grande moda da época, algumas se prolongando até os dias atuais, obviamente obedecendo ao paradigma dos Conflitos de Baixa Intensidade, mas que também já saiu de moda após o fim da Guerra Fria. O que sobrou foi essa guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que ocupa os noticiários até cansar, vira meme e dá suspeita de ser uma grande palhaçada. Já não se fazem mais guerras como antigamente, só não sei se isso é bom ou ruim.

Um comentário:

  1. O parasita do cidadanismo de Roma da NATO pretende comer-nos por parvos:
    - ele NÃO ESTÁ INTERESSADO NA SEGURANÇA DE AMBAS AS PARTES... nomeadamente, não está mesmo nada interessado na segurança dos povos que não estão interessados em vender as suas riquezas a multinacionais.
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    Falar em Putin para desviar as atenções; não obrigado!
    Sim: O EUROPEU-DO-SISTEMA DEVE DUAS MENSAGENS DE PAZ:
    -> não só ao povo da Russia, como também, a todos os povos que não estão interessados em vender as suas riquezas a multinacionais!
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    Mensagem de paz 1:
    -> A TAXA TOBIN
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    Uma mensagem (para o povo da Russia, e não só):
    - "Urge a implementação da Taxa Tobin"!
    .
    A implementação da Taxa Tobin vai permitir o desenvolvimento dos mais variados povos
    ... nomeadamente...
    vai permitir que os mais variados podesenvolver as suas mais variadas empresas, consequência:
    - vão ser empresas autóctones a explorar as suas riquezas naturais... e não... multinacionais Ocidentais.
    [[[uma mudança de paradigma civilizacional na qual o hipócrita Ocidental não está interessado]]]
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    .
    Mensagem de paz 2:
    -> O MAIS ELEMENTAR DOS TRATADOS DE PAZ
    .
    Isto é:
    ---> um tratado de paz que recuse o MAIS VELHO DISCURSO DE ÓDIO DA HISTÓRIA -> o ódio tiques-dos-impérios: o ódio a povos autóctones Identitários.
    .
    [nota: o cidadão de Roma da NATO está ao 'nível' do cidadão de Roma de há 2000 anos atrás: partilham o ódio tiques-dos-impérios -> ódio a povos autóctones que aspiram à Liberdade de ter o seu espaço e prosperar ao seu ritmo]
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    O parasita do cidadão de Roma da NATO:
    - não gosta de trabalhar para a sustentabilidade (projecta a existência de outros como fornecedores de mão-de-obra servil, de demografia)...
    - vai vendendo tudo aquilo que herdou (do nacionalismo) a multinacionais... e... está em conluio com as mais diversas negociatas...
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    De facto:
    - nas mais variadas regiões do planeta, sempre que não está instalado um «governo amigo»... o hipócrita Ocidental fomenta guerras/revoluções para que... a exploração de riquezas caia nas mãos de multinacionais Ocidentais.
    .
    Mais:
    - o hipócrita Ocidental bloqueia a investigação à forma como chegam armas a 'grupos rebeldes', que não possuem fábricas de armamento... e cujas guerras/revoluções são usadas para destituir «governos não-amigos» (não interessados em vender)
    Mais:
    -> O hipócrita Ocidental está preocupado é em acusar/ silenciar (com a acusação de serem racistas/xenófobos) os Identitários que dizem o óbvio:
    - «os países que fazem chegar armas a 'grupos rebeldes' é que têm de pagar a ajuda aos refugiados».
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    [em conluio com as negociatas da máfia do armamento, o hipócrita Ocidental tem provocado milhares/milhões de vítimas mortais]
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    O CIDADÃO DE ROMA DA NATO ESTEVE MAFIOSAMENTE EM SILÊNCIO perante as afirmações dos 'gurus-das-ameaças':
    -> secretário geral da NATO: «a Russia vai ter cada vez mais NATO nas suas fronteiras».
    -> outros 'gurus' Ocidentais proclamam: «a globalização vai entrar pela Russia a dentro» (multinacionais a adquirir as riquezas da Russia).
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    Pois é:
    - a NATO, ao serviço do seu cidadão de Roma, pretende cercar a Russia (um território imenso no planeta, com apenas 140 milhões de habitantes) com países da NATO.
    [o Ocidente anda a aguçar o dente às riquezas da Russia]
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    RUSSIA LÍDER DO MUNDO LIVRE.
    A Russia pode vir a ser a líder do MUNDO LIVRE:
    - povos que não estão interessados em vender as suas riquezas a multinacionais!
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    P.S.
    SEPARATISMO IDENTITÁRIO; sim, óbvio!!!
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    A Europa dos vendidos a interesses económicos de índole esclavagista/colonialista...
    versus...
    a Europa do Ideal de Liberdade que esteve na origem da nacionalidade.
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    Sim:
    -> NA ORIGEM DA NACIONALIDADE ESTEVE O IDEAL DE LIBERDADE IDENTITÁRIO: "ter o seu espaço, prosperar ao seu ritmo".
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    SEPARATISMO 50-50:
    -> os globalization-lovers, UE-lovers, etc, que fiquem na sua... desde que respeitem os Direitos dos outros... e vice-versa.
    .
    -» blog http://separatismo--50--50.blogspot.com

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