Direita pode significar o regime totalitário, ultranacionalista e belicista surgido na Europa no começo do século passado, conhecido como fascismo, como pode meramente referir-se à facção conservadora que se acomoda aos regimes democráticos modernos. Esquerda pode significar grupos de inconformistas que propugnam alteração nos costumes, sem nenhuma ação política, como eram os adeptos da contracultura dos anos 60 e 70.
Direita também pode denotar liberalismo econômico, enquanto a esquerda prega mais intervenção do Estado na economia. Hoje em dia, no Brasil, esquerda é Lula e direita é Bolsonaro. Mas curioso que, no passado, muitas bandeiras da atual direita eram defendidas pela esquerda, e vice-e-versa. Nos tempos do regime militar tão exaltado por Bolsonaro, a política econômica se assemelhava muito à do atual PT, com mais dirigismo, mais companhias estatais e leis trabalhistas mais rígidas.
Contudo, uma outra dicotomia, bem mais inquietante, tem sido notada em tempos recentes opondo direita e esquerda. Direita é quem defende rigor no combate ao crime. Esquerda é quem defende que o crime tem causas estruturais na sociedade injusta. Direita é quem defende a redução da maioridade penal. Esquerda é quem defende a diminuição da população carcerária mediante penas alternativas. Esse arrazoado foi levado ao paroxismo pelos últimos acontecimentos no México, onde sucessivos governos de esquerda têm implementado a política de "Abraços, e não Balaços", assim declarada textualmente. A violenta reação dos narcotraficantes à morte de seu chefe mostra que ao contrário do governo, eles acreditam em balaços.
Aguardo ansiosamente o dia em que sairemos da gangorra Direita X Esquerda, que nos prende ao passado.
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